
Em meio a uma disputa fundiária histórica, um novo confronto foi registrado nesta segunda-feira (27) entre forças policiais e o povo indígena Guarani-Kaiowá em Amambai, no Mato Grosso do Sul. O embate ocorre após a ocupação da fazenda Limoeiro, área que incide sobre a Terra Indígena Iguatemipeguá II, no domingo (26), que resultou na prisão de cinco indígenas.
Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), policiais militares e agentes do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) atacaram o grupo com tiros e bombas enquanto eles eram empurrados pelas forças de segurança de volta à aldeia Limão Verde. A organização também afirma que os indígenas haviam sido encurralados por homens armados antes mesmo da chegada da polícia. Até o momento, não há informações sobre o número de feridos na ação desta segunda-feira.
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A Polícia Militar informou que foi acionada para conter uma ocorrência de invasão de propriedade. De acordo com a corporação, o grupo entrou na fazenda por volta das 23h20 de sábado, expulsando a família de produtores rurais do local durante a madrugada. A polícia relatou que houve danos à casa e tentativa de destruição de veículos e máquinas, além de terem encontrado objetos, como joias e eletrônicos, separados para possível retirada.
A PM efetuou a detenção dos envolvidos e o policiamento permanece na região. Os cinco indígenas presos permanecem na delegacia de Amambai. O Cimi identificou os detidos como Josilaine Gonçalves, Valdenir Gonçalves, Aracilda Nunes, Daiane Orti e Grezi Vilhalva.
A tensão na região reflete a divergência sobre o status jurídico da área. Enquanto a PM trata o caso como invasão, o Cimi defende que se trata de uma retomada de território ancestral. A Terra Indígena Iguatemipeguá II está em fase de estudos para demarcação desde 2008, envolvendo levantamentos da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) informou, em nota, que acompanha o caso por meio de seu departamento de mediação e que representantes da Funai e da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) se deslocaram ao local.
"A pasta aguarda mais informações para o acionamento dos órgãos responsáveis e qualificação de eventuais violências e violações de direitos por parte das forças policiais do Estado em relação aos indígenas", diz o comunicado do MPI.
A Força Nacional ressaltou que atua no estado em apoio à Funai. A equipe relatou que, ao chegar à fazenda no domingo, a intervenção inicial já havia sido feita pela PM sul-mato-grossense. Atualmente, a atuação federal foca no acompanhamento da situação, prevenção de novos conflitos e reforço do patrulhamento ostensivo. Os proprietários da fazenda Limoeiro não se manifestaram até a última atualização do caso.
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