
O Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos solicitou, na noite desta segunda-feira (20), que o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho deixe o país. A medida ocorre após a participação direta do oficial no monitoramento que levou à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem em território americano, na semana passada. Em nota oficial, as autoridades dos EUA criticaram a postura do funcionário brasileiro e alegaram que o sistema migratório do país foi indevidamente utilizado.
De acordo com a mensagem publicada na página oficial do Gabinete no X (antigo Twitter), o governo americano foi enfático ao rejeitar a atuação do delegado. "Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso", diz o comunicado. Marcelo Ivo atuava desde 2023 como oficial de ligação da PF com o serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).
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Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento em uma trama golpista, havia sido detido pelo ICE no último dia 13 de abril. Embora a abordagem inicial tenha ocorrido por uma infração de trânsito na Flórida, a PF brasileira monitorava o ex-diretor da Abin desde novembro passado, realizando campanas e rastreando placas de veículos. A prisão foi motivada pelo fato de o visto de turista de Ramagem estar expirado e seu passaporte diplomático ter sido cancelado.
Entretanto, Ramagem foi solto dois dias após a detenção, sem a necessidade de pagamento de fiança, e agora aguarda a análise de um pedido de asilo político sob a alegação de perseguição pela Justiça brasileira. O descontentamento de Washington com a atuação de Marcelo Ivo sinaliza uma crise diplomática pontual no setor de cooperação policial, indicando que os EUA consideraram a ação da PF brasileira uma tentativa de burlar os trâmites legais de extradição por meio de agências migratórias. Até o momento, a Polícia Federal e o Itamaraty não se manifestaram oficialmente sobre a expulsão do delegado.
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