
A Polícia Civil interditou, na manhã de quarta-feira (22), um canil clandestino com mais de 200 animais na cidade de Dois Irmãos, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A ação, motivada por uma denúncia anônima, resultou na prisão em flagrante de um homem e uma mulher por maus-tratos, interromvendo um esquema de exploração econômica de cães e gatos que viviam em condições insalubres e sem acompanhamento veterinário.
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, as autoridades contabilizaram 170 cachorros e mais de 50 gatos mantidos tanto no interior quanto no pátio do imóvel. Entre os cães, havia animais de raças como Spitz Alemão e Cavalier, que eram comercializados por valores entre R$ 5 mil e R$ 15 mil.
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A inspeção identificou diversos animais sofrendo com diarreia, sarna e dermatites alérgicas, imersos em um ambiente de superlotação e mistura de espécies.
O delegado Felipe Borba, responsável por coordenar a operação, destacou a gravidade do cenário de exploração encontrado pelas equipes de fiscalização:
"Estamos diante de uma situação de elevada reprovabilidade social, em que animais são submetidos a sofrimento em um contexto de exploração econômica. A atuação da Polícia Civil visa a interromper essa prática e a responsabilizar os envolvidos."
A operação contou com o apoio da Vigilância Sanitária municipal, de médicas veterinárias e da Associação de Proteção aos Animais do município. A vistoria técnica revelou falhas estruturais severas, como a ausência de piso impermeável e de sistema adequado de drenagem.
Além disso, os fiscais constataram a inexistência de separação dos animais por espécie, idade ou condição fisiológica, mantendo, inclusive, fêmeas prenhas em ambientes inadequados.
O canil operava com total descontrole reprodutivo e sanitário, desrespeitando a legislação vigente. Não havia registros obrigatórios sobre ciclos de cio, coberturas, número e intervalo de gestações por fêmea, ou idade dos animais.
A fiscalização também apontou a falta de controle de parasitas, inexistência de comprovação de vacinação, ausência de monitoramento do peso dos filhotes e a não garantia do tempo mínimo de permanência das crias com as mães.
Os suspeitos presos já possuíam antecedentes pelo mesmo crime de maus-tratos. Após a constatação de todas as irregularidades, a Vigilância Sanitária determinou a interdição imediata do canil. Todos os animais foram recolhidos do estabelecimento e encaminhados para outro local seguro.
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